Jorge Reis  —  Pueblos

Tracklist

Jorge Reis Alto/soprano sax
Andre Fernandes Guitar
Nelson Cascais Doublebass
André S. Machado Drums

“Saxophonist Jorge Reis and his fellow musicians are very capable, and at times they’re inspired, as on the soaring second piece on Pueblos, simply titled “S.” The lilt in their music may have its source in their Portuguese culture, but they also establish a firm, thrusting swing.

Reis has a full, glowing sound on both of his horns, and he swings reliably. On “In Mami” he reaches inspired heights, while on “Saggara” he attains a floating yet powerful lyricism. As a composer, Reis, who wrote half of the eight compositions on Pueblos, favors long, angular phrases, seemingly reflecting the influence of Dave Douglas. In fact, not only is Douglas one of the dedicatees on the album, but Reis also performs a deeply introspective rendition of one of the great trumpeter’s compositions, “Magic Triangle.” Overall, Reis proves to be yet another first-rate jazz musician whose origins are outside the United States.

The sidemen on the album make solid, fitting contributions to the music. Guitarist Andre Fernandes is consistent in the inventiveness of his improvising. He plays long, singing lines with a clear, clean sound and original, swinging ideas. Bassist Nelson Cascais and drummer Andre Sousa Machado are an excellent rhythm section, giving the Latin rhythms an attractive airiness, swinging with conviction and improvising well during their solos. It is notable that these musicians don’t imitate anybody; they have transcended their influences and established their own identities. Jorge Reis, for one, would never be mistaken for anyone else.

In fact, individuality is but one of the assets that make this album sound so attractive. Jorge Reis and his sidemen are creative and swinging improvisers, and Pueblos represents a high water mark in jazz from Portugal. ”

Marc Meyers

“Jorge Reis, saxofonista e fotógrafo (a fotografia da capa deste disco foi tirada por ele), membro do Sexteto de Jazz de Lisboa ao lado de nomes como Mário Laginha, Mário Barreiros ou Tomás Pimentel, que colaborou com vários artistas portugueses como Sérgio Godinho e Jorge Palma, entre muitos outros, traz-nos Pueblos. Pueblos é um registo que é - ou pelo menos tenta ser - de música diferente. Diferente, para todas as pessoas que são diferentes das outras. Não no sentido em que toda a gente é única, mas sim no sentido das pessoas de diferentes culturas, de diferentes meios e diferentes vivências. Jorge Reis tentou assim fazer um álbum diferente de todos os outros. Claro que, nos nossos dias, é sempre difícil fazer um disco diferente, inovador, que soe como nenhum outro. Mesmo que este objectivo não seja totalmente cumprido, Pueblos não deixa de ser um disco interessante, que se distingue.

O quarto lançamento da Tone of a Pitch é feito por quatro amigos, Jorge Reis, André Fernandes, Nelson Cascais e André Sousa Machado, e não só. De João Paulo Esteves da Silva e Tomás Pimentel, que contribuem com duas composições (”Plebeus” e “Vralsa”, respectivamente) feitas de encomenda, Jorge Reis diz que o disco também é deles. Mesmo em temas de outros compositores, Jorge Reis mostra-se muito à vontade, seja no saxofone alto ou no saxofone soprano, tal como os outros músicos. Em alguns momentos, como na primeira faixa, André Fernandes deixa a guitarra soar como um teclado, enquanto que na segunda faixa - um dos pontos altos -, numa composição sua, dois acordes vão dando o mote para um belíssimo tema. Nelson Cascais (que em algumas faixas toca com um arco) e André Sousa Machado, como secção rítimica, vão-se adaptando às necessidades dos temas que andam sempre à volta dos ambientes jazzísticos, mesmo que raramente se aproximem do jazz dito mainstream.

Pueblos é um disco com pinta e com garra, uma prova da qualidade do jazz português que graças a editoras como a Tone of a Pitch vai saindo cá para fora. É acessível a toda a gente, mesmo fora do universo do jazz. O tal objectivo de Jorge Reis - de lançar um disco diferente de todos os outros - não foi propriamente atingido neste Pueblos, mas ainda assim acabou por criar um álbum altamente recomendável. Não vai mudar o mundo, não vai mudar a nossa forma de ouvir a música, mas deixar-nos-á decerto muito satisfeitos.”

Rodrigo Nogueira
17/03/2004

2003 // TOAP004

  1. Saqqara
  2. S
  3. Plebeus
  4. Pueblos
  5. Magic triangle
  6. In´mami
  7. Origami
  8. Vralsa